Menos reclamações e mais mudanças

Hoje vamos falar de mudanças?

 

Escuto muito, tanto em meu consultório como fora dele, a descrença das pessoas com relação ao parceiro (a) mudar, com falas parecidas com: “ele nunca vai mudar”, “ela não muda, não adianta fazer terapia”, “ninguém muda, tenho que aceitar? ”, “não mudou até agora, não muda mais. ”, entre outras falas que só ajudam a aumentar as queixas e os conflitos cotidianos.

Cada vez mais, casais se agridem com ofensas e ressentimentos, alteram o tom de voz (gritam) com a finalidade de mostrar autoridade, apontam diferenças com expressões inadequadas, cobram exageradamente mudanças, mas não aceitam que também precisam mudar.

Todas as pessoas possuem uma bagagem, que carregam experiências educacionais, culturais, hábitos familiares e diversas questões que vão construindo maneiras de ser e de pensar. Quando nos relacionamos com uma outra pessoa, devemos entender essa bagagem, para que os laços sejam muito mais harmoniosos e menos conflituosos.

Entender não significa aceitar todos os comportamentos do outro, mas nos ajuda a selecionar o que devemos pontuar como proposta de mudança, sem exceder os limites de ambos, que podem destruir o relacionamento.

O comportamento mais frequente são as reclamações de hábitos do outro, como uma forma de atacar, sem dar uma abertura para a mudança. Melhor do que ficar se queixando, é conversarem sobre o que está incomodando, e avaliar se é possível ter uma mudança. Isso precisa partir dos dois lados, com a fala e a escuta.

Sempre repito para os casais que me procuram, que ninguém muda ninguém, a pessoa irá mudar se ela realmente sentir a necessidade de ter essa mudança. Portanto, é possível mudar? Certamente sim, mas não tão fácil e simples. Mudanças repentinas nem sempre são sustentáveis. Não basta querer mudar o comportamento, o mais importante é mudar os valores a respeito do assunto, transformar maneiras de pensar. Todos podemos enxergar uma situação com outros olhos, mas para isso precisamos nos abrir a novos conceitos, e consequentemente a novos comportamentos. Aí entra uma questão de cobranças, do que adianta eu cobrar, se não dou espaço para esta mudança se manifestar? Neste processo é necessário entender as dificuldades do outro, lembrar que não aprendeu como você, e auxiliar buscando em si também uma auto avaliação e o que pode fazer para melhorar a convivência.

Uma maneira que auxilia muito os casais a identificarem o que está acontecendo de errado, e o que pode ser feito para melhorar, é a comunicação verbal, expondo sentimentos, motivações, valores, sempre ponderando e identificando o que realmente incomoda e prejudica a visão que cada um tem um do outro, e que atrapalha a relação. Vale ressaltar que o que é importante para o outro, pode não ser para mim, mas preciso entender essa importância que a outra pessoa dá para eu começar a mudar a maneira como penso sobre o assunto.

O silencio sobre esses assuntos ou a surdez da outra parte, orgulho e teimosia que fazem a pessoa repetir o que foi colocado como queixas, só aumentando os conflitos e as mágoas, e as reclamações se tornam persistentes. Portanto, levar em consideração os valores do(a) parceiro (a), escutando-o, colocando a sua opinião e identificar a importância que o assunto em pauta tem para a outra pessoa, facilita o entendimento e possíveis mudanças.

Para quem vive reclamando, reconheça quais são os seus valores, o que é importante e pode atrapalhar a relação, pois nem tudo o que reclamamos é tão importante assim, não é mesmo? Portanto selecionar as reclamações também amenizam a forma como nos relacionamos com a outra pessoa.

Existem algumas mudanças que não são possíveis de acontecer, e nessa situação pode ser importante mudar a maneira de enxergar, como uma forma de aceitação, caso optar em continuar ao lado daquela pessoa. Este processo também não é fácil, mas se torna necessário quando se quer ter uma convivência mais agradável.

De qualquer forma, a conversa frente a frente entre o casal é o melhor método para buscar uma solução. Lembre-se: saber falar, saber escutar e compreender o lado oposto são alguns itens importantes entre um casal para que haja uma mudança.

Abraço,

Adriana Visioli

voltar para Artigos

left show fwR center b02ns normalcase bsd|left tsN fwB|left show fwR|c05 b01 bsd|||news login b01 fwB tsN fwR tsY c10 bsd|normalcase b01 tsN c10 bsd|normalcase c10|login news b01 normalcase c05 c10 bsd|tsN normalcase c10|b01 normalcase c10 bsd|content-inner||