A mulher e a testosterona – Vilões ou aliados?

Tenho escutado muitas mulheres em meu consultório pedindo a minha opinião sobre o “tal” adesivo de testosterona, se realmente ajuda a mulher a ter mais vontade de sexo. Eu sempre pergunto o que a pessoa sabe sobre o uso dela, e como ficou sabendo deste adesivo. Algumas me falaram que foi indicação da amiga, outras que viram em um programa de televisão a qual a mulher cola em sua pele diversos adesivos deste hormônio e segundo a fala desta minha paciente “ela sobe nas paredes”; mas quase todas não têm conhecimento sobre o hormônio e os efeitos colaterais dele.

Mulheres, vamos com calma pois não é bem assim. Devemos nos informar muito bem, pois ele não é apenas um simples adesivo, o corpo irá absorver a testosterona, e pode ter efeitos tanto benéficos como trazer muitos prejuízos para a saúde da mulher que utiliza.

Mas, o que é a testosterona?

A testosterona é um hormônio produzido naturalmente pelo nosso organismo e é o principal hormônio responsável pelo desejo sexual.

Ela é encontrada no organismo dos homens e das mulheres, porém os homens têm um nível da testosterona muito mais elevado do que as mulheres, e nós mulheres, não podemos ter o mesmo nível do hormônio que os homens, pois irá trazer efeitos colaterais indesejados e prejudicando a saúde da mulher.

Consultar um médico é o mais indicado quando se tem baixo desejo sexual, para averiguar as dosagens hormonais. Caso o nível de testosterona estiver baixo, é recomendado a reposição do hormônio. Percebe-se algumas alterações com esta queda da testosterona, como o aumento da gordura corpórea, diminuição da massa muscular, diminuição da densidade óssea, queda da libido, sensação de cansaço e da vitalidade, mal-estar, alteração de humor, e quando estão muito baixas, podem interferir na ereção dos homens. Porém só deve ser dado o diagnóstico com a comprovação do exame sanguíneo, apenas os sintomas não são suficientes para determinar se há ou não uma diminuição da testosterona, pois estes mesmos sintomas podem ser ocasionados por outros motivos.

Existem algumas causas para a diminuição da testosterona:

  • Estresse elevado (o cortisol, hormônio do estresse, causa um bloqueio na testosterona);
  • Retirada dos ovários;
  • Menopausa;
  • Andropausa;
  • Insuficiência adrenal;
  • Anorexia nervosa;
  • Terapia medicamentosa: antidepressivos, colesterol, estrogênios, anto-androgênicos, glicocorticoides;
  • Artrite reumatoide;
  • Falência ovariana prematura;
  • Lúpus;
  • Síndrome de imunodeficiência;
  • Uso de alguns anticoncepcionais hormonais;
  • Aumento exagerado de gordura corporal;
  • Alimentação irregular.

A testosterona é indicada muito para mulheres que estão na fase da menopausa, onde acontece uma queda deste hormônio. Em casos para combater a baixa da testosterona ou alguma doença, o médico pode sim prescrever o uso do medicamento, com a finalidade de melhorar o quadro da paciente, sem nenhum risco. Por exemplo, na menopausa, a reposição da testosterona reestabelece a libido e o controle da massa muscular. Mas sempre com a supervisão e acompanhamento do tratamento com o médico.

Na internet encontramos diversos artigos sobre os benefícios da testosterona, e realmente eles existem, porém apenas em pessoas que possuem essa alteração diminuída, caso contrário não é benéfico fazer uso do hormônio. Tudo o que é em excesso, não é bom. Quando temos níveis elevados da testosterona, há um aparecimento gradual de acne, pelos, alterações menstruais, queda de cabelo, aumento do pomo de adão (“gogó”), face mais masculina, aumento do clitóris, alteração na voz (engrossamento) entre outras alterações no corpo da mulher. Caso o uso for muito prolongado sem a necessidade, pode haver um aumento dos glóbulos vermelhos e de fatores de coagulação do sangue, elevando o risco de trombose, hepatite, aparecimentos de cistos e tumores malignos no fígado, a redução do bom colesterol (HDL) e o aumento do mau colesterol (LDL).

Portanto, antes de utilizar qualquer uso da testosterona sem a prescrição médica, marque uma consulta, faça exames, pontue o motivo e suas queixas, assim o médico especialista irá realizar os exames adequados, e caso estiver tudo “OK”, procure a terapia sexual para investigar a causa desse baixo libido com a finalidade de trabalhar o assunto para obter uma melhora. Podem ser desde simples informações, orientações e intervenções junto à pessoa e/ou ao casal que possibilita um aumento do interesse ao sexo harmonizando a vida sexual.

Fica a dica, nada de utilizar do hormônio sem a orientação médica, ok? Remédios podem sim dar um “up” na vida sexual mais rápido que a psicoterapia. Mas com certeza a psicoterapia e a terapia sexual serão muito mais duradouras e sem trazer algum prejuízo ou risco para a mulher, até porque você não vai ficar consumindo a testosterona o resto da vida, não é mesmo? Deixe para tomar quando realmente precisa e não irá fazer mal.  Lembrem que excesso de hormônio no organismo não é satisfatório, se não precisa, não use!

Grande abraço.

Adriana Visioli

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